quarta-feira, 1 de julho de 2009

Desordem natural

Há uma nova ordem natural das coisas, ou talvez devesse chamar-lhe desordem. Foi o que dei por mim a pensar enquanto limpava a cara com leite hidratante, base, pó e sombras, eye liner e rímel para aprofundar o olhar, e outros truques que nos emprestam a aisance necessária para enfrentar o mundo. Ele escovava os dentes e ambos olhávamos o outro ligeiramente de lado, como se quiséssemos passar despercebidos.

- Os meus ovos estão a acabar, tu sabes?

- Eu sei querida, penso muitas vezes nisso.

Eu também, quase disse, mas depois calei-me fomos deitar-nos. Claro que ele sabia. Há mais de quatro anos nisto, eu a querer casar e ter filhos, e ele não. Apagou a luz e ficámos os dois quietos, presos um no outro. E foi então que me disse que pensava muito no futuro, que às vezes ainda sonhava esse futuro comigo, casa, filhos e férias juntos, uma família feliz, que já estivera muito mais perto de me pedir em casamento do que eu alguma vez suspeitara, mas o medo impedira-o sempre de avançar. Em vez disso, marcava o território qual macho indeciso, e eu, muito parva, em vez de acender a luz e lhe perguntar, mas por que raio é que nunca o fizeste, deixei-me estar quieta no escuro e respondi: - Ainda bem, fico muito contente, afinal não estava maluca estes anos todos, afinal tu sempre gostaste de mim. E depois adormecemos mergulhados naquela paz triste e serena, própria de quem perde a guerra porque não lhe apetece lutar a última batalha. Nunca sabemos quando deixamos de amar alguém, o amor nunca morre, é como uma velha árvore que se vai desfazendo; os troncos ficam demasiado pesados e quebram, as folhas estalam e caem, é um processo muito lento, sobretudo quando não queremos deixar de amar. Durante demasiado tempo eu pusera os meus ovos todos naquele cesto. Por obstinação, infantilidade, ou as duas coisas, aí projectei a minha ideia de futuro: os ovos do sonho, da esperança, da fertilidade. Mas o cesto estava vazio. E, do outro lado da realidade, o medo, ainda e sempre esse monstro cinzento igual à morte, epnas sem a ceifa erguida, que o impedira de se atirarà vida e de ser feliz. Dormi pouco, sobressaltada por imagens do meu futuro impossível. Era como se já o tivesse vivido sem nunca ter passado sem ele. Crianças de cabelos aos caracóis com o riso igual ao meu, uma vida em comum, semelhante à dos comuns mortais da casa ao lado, da rua de cima, da cidade vizinha, quem sabe até de outros planetas, porque o amor é universal e a vontade de criar laços e de ter filhos atravessa todos os seres vivos. Era muito cedo quando se levantou e me trouxe uma chávena de café antes de sair. Quis perguntar-lhe porquê, mas já não valia a pena pedir, explicar, insistir, chorar e rir, todos os verbos estavam gastos. E no entanto, todos os gestos eram, ainda e sempre, tão belos. Ele a pentear-me a franja para o lado com cuidado, a olhar para mim como se tivéssemos 10 anos e eu fosse a sua primeira namorada, e depois a ir-se embora devagar, como quem nunca quer partir, enfrentando o caos que governa o mundo.

Fechei os olhos e mergulhei no sono, embalada por uma paz até então desconhecida. Quando acordei vi um embrulho enorme em cima da mesa de cabeceira. Era o cesto dos ovos. Estavam todos lá dentro, muito arrumados, de várias cores e tamanhos. Peguei no cesto e fui-me embora. Finalmente estava livre. Agora já podia ir até ao fim do mundo.


in, Crónica, Revista Máxima, por Margarida Rebelo Pinto

terça-feira, 30 de junho de 2009


também tu floresces em mim....

domingo, 21 de junho de 2009

all love

é o carinho que me desarma... e sempre ele que me ampara.
o sorriso luminoso das amigas!
os gestos cavalheiros das caras-metade.
são os momentos em grupo... as lágrimas, porque convosco posso sempre chorar, posso sempre ser eu. apenas eu.
como sou.
e hoje dormirei traquila, porque me amparam os braços doces dos que me querem bem.


"barbie, és grande"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

sem música... sem som... em tempo real


I choose to hide, but I look for you all the time… e nem sempre estás, e quando assim é doi muito e mais e doi novamente. E há dias longos e horas intermináveis. E assisto a fins-de-semana tristes e melancólicos.

… tell me are you going tired of what I didn't do? Foi assim, sei-o bem e também isso me pesa. Porque não sabia mais e aprendi à minha custa, minha e de ninguém mais, mas também isso magoa, porque agi de coração ou com razão, ou sem, mas hoje não o faria assim.

… don't wanna hear, don't wanna fight, cause this time I won't be wrong. A razão é sempre tão subjectiva! A minha comando-a eu, com ou sem pudor, a bem ou mal, mas sempre eu, tal como tu e todos os outros. Se chocarmos, se não resultar, a consciência permanece tranquila, porque fui fiel a mim, apesar de tudo, mas não sem reticências e questões.

Choose love, choose love… e isso não! Nem foi nunca a intenção, sei-o hoje. E a tristeza deu lugar à mágoa. E essa permanece… mas sorrio apesar de tudo. Porque o dia de hoje é sempre melhor do que ontem e o amanhã será seguramente também. E se assim não for, também a esse assistirei.

segunda-feira, 25 de maio de 2009


could we ever learn how to live



segunda-feira, 20 de abril de 2009

desafio

1. Nome?

M João

2. Porque lhe deram esse nome?

Porque a minha mãe sempre gostou e sempre afirmou que se tivesse uma filha esta seria ou M João ou Joana, a mim calhou-me o primeiro, lá em casa temos a Naninha, está velhota, mas é a minha namorada predilecta.

3. Você faz pedidos às estrelas?

Nem por isso, mas falo muito com os meus, que me acompanham;

4. Quando foi a última vez que chorou?

Ora deixa cá ver.... no sábado, quando falei com a estrela verde, que uma vez mais me afagou a alma e acalmou o ser;

5. Gosta da sua letra?

Muito! É toda catita, como eu!

6. Gosta de pão com quê?

Seco. Com manteiga.

7. Quantos filhos tem?

Nenhum, mas tenho a Matilde, que é filha do meu mano, tem seis meses e é linda.

8. Se fosse outra pessoa seria seu amigo?

Só se fosse mesmo boa pessoa, porque eu não sou de longe fácil... mas passando para além do visível, acho que vale a pena.

9. Saltaria de Bungee-Jumping?

SIM

10. Desamarra os sapatos antes de tirá-los?

Não, quase nunca.

11. Acredita que é uma pessoa forte?

Já acreditei mais!

12. Gelado favorito?

Hum... talvez manga, ou café.

13. Vermelho ou preto?

Não pode ser azul escuro?

14. O que menos gostas em ti?

Esta é dificil.... algum mau feitio que descarrego naqueles que me são próximos, e que não tem culpa alguma. Acho que é qualquer coisa como: és tão seca! E simultaneamente uma fragilidade por vezes paralisante, que recentemente tem estado demasiado presente! Falta-me um bocadinho assim... para ser perfeita! :-)

15. O que mais gostas em ti?

A rapidez de raciocinio!

16. De quem sentes saudades?

Ultimamente tem sido de mim.... dos que me acompanham mas que já não vejo. Dos amigos que estão longe!

17. Descreve que tipo de roupa está a usar agora?

O belo pijama, o que mais?!

18. Qual foi a última coisa que comeu hoje?

Umas bolachas estilo belgas, tão boas, mas não digam à Leta.

19. O que está escutando agora?

O jornal do canal 2.

20. A última pessoa com quem falou ao telefone?

O meu ex-gerente, que é também uma espécie de amigo.

21. Bebida favorita?

Água. Chá de limão. Trina de limão.

22. Comida?

Sou boa boca! Como aliás se nota..... :-)

23. Último filme que viu no cinema e com quem?

"Ele não está assim tão interessado" com as babes, quem mais?!

24. Dia favorito do ano?

Não tenho. Não ligo muito a datas.

25. Inverno ou Verão?

Entre um e outro, Verão

26. Beijos ou abraços?

Não podem vir em conjunto?!

27. Sobremessa favorita?

Gosto muito de molotofe! Gosto, e então?!

28. Que livro está a ler?

"A viagem do Elefante", mas está difícil.... e a vontade não é muita. A ver se nas férias....

29. O que tem na parede do seu quarto?

Quadros.

30. Filmes Favoritos?

"América Proibida", "ET", "Cães Danados", "Madame Buttefly" e por ai fora...

31. Onde foi o lugar mais longe que já foi?

Eu sonho, mas raramente me lembro. Mas sei com quem sonho!....

32. Uma música?

Essa é complicada, assim de repente: "Choose Love" ou "Vuelvo al Sur" , "O Pomar das Laranjeiras" ou ainda "Pearls" mas há mais... e há também uma dos Frankie Goes to Hollywood de que gosto muito mas não sei o título.

33. Uma frase?

Neste momento? "de mim só me falto eu"...


Tá feito!

sábado, 18 de abril de 2009

se pedir desculpa, ainda dá?!


vocês são de longe quem menos culpa tem, porque nada mais fazem do que amparar! eu?!não me apetece assumir a culpa mas antes atribui-la a este feitio impossível, esmagadoramente vincado e a um mês de cão... que me soa eterno e em que cada dia consegue surpreender sempre... pela negativa! e depois dá nisto... aqueles a quem mais quero, e fruto da proximidade, são avassaladoramente maltratados, como modo de eu exprimir o que vai cá dentro. e o que aqui está é tão feio!...
gostei muito da moldura, porque sei que é um mimo teu, para mim e para me alegrar! gostei muito da companhia, mas isso nada traz de novo, GOSTO SEMPRE. não gostei de mim, nos últimos tempos também já vem sendo hábito, e por isso peço desculpa!
obrigado por tudo e mais qualquer coisa (isto soa-me familiar).
beijos

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Gravity

Something always brings me
back to you.
It never takes too long.
No matter what I say
or do
I'll still feel you here 'till
the moment I'm gone.
You hold me without
touch.
You keep me whitout
chains.
I never wanted
anything so much
than to drown in your love
and not feel your rain.
Set me free
leave me be
I don't want to fall another
moment into your gravity.
Here I am
And I stand
so tall
just the way I'm
supposed to be.
But you're on to me
and all over me.
You loved me 'cause
I'm fragile
When I thought that
I was strong.
But you touch me for
a little while
and all my fragile
strength is gone.
Set me free
leave me be
I don't want to fall another
moment into your gravity.
Here I am
and I stand
so tall
just the way I'm
supposed to be.
But you're on to me
and all over me.
I live here on my
knees as I
try to make you see that you're
everything I think I
need here on the
ground.
But you're neither
friend nor foe though
I can't seem to let you go.
The one thing that I still
know is that you're keeping me
down
you're keeping me down
But you're on to me
you're on to me
and all over
Something always
brings me back to you.
It never takes too long.
Sara Bareilles

sexta-feira, 10 de abril de 2009

no vazio


é a calmaria. a imensidão do nada, parada no centro do vazio. estou cansada de mim e contudo não consigo despir-me a pele. estou verdadeiramente cansada! os dias sucedem-se e eu permaneço... intermitente ao que me rodeia. magoa-me a solidão mas não quero ver ninguém. sinto-me só, ainda que no meio de muitos. mantenho-me neste estado letárgico e nada faço por mudar.... e assisto ao desenrolar dos dias... sucessão das horas, passagem de estações e renascer das luas.
queria ser mais forte! queria ser melhor! queria ser diferente!...e a consciência da indiferença marca-me a fogo, e lança-me na alma o pranto. e o cansaço... como estou cansada! de mim! desta eu, que não queria conhecer. quem é o reflexo no espelho diante de mim?! não me reconheço... porque não sei quem sou. não me reconheço porque não posso ser assim. não me reconheço, porque não encontro o melhor de mim.
não queria ser fraca! não queria insistir.... não posso fazé-lo! mas das acções às palavras.... é um caminho longo e difícil! que nem sempre consigo percorrer!
estou muito cansada! de mim.... estou muito cansada de mim!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

aujourd'hui je me sens particulièrement triste. je me sens petite, abandonnée et seule. aujourd'hui ni votre amour me soutient. et je ne veux pas, je ne peux pas ou désir être ainsi mais la grande vérité est que je ne me sens pas d'autre forme. aujourd'hui doi me ma maison, ma vie, mon âme. aujourd'hui je renonce à ma destination. les mots ne m'illuminent pas, ainsi comme la lumière dans la rue, qui s'allument déjà, aujourd'hui c'est nuit dans moi et je n'aperçois pas l'aube… et dans mon ciel ne brillent pas des étoiles et la lune s'est cachée, pour ne pas m'illuminer. aujourd'hui c'est un jour plus long….